segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Local Area Network

Era um dia comum de trabalho; um saco. De repente entra um cara de porte escandinavo, de aspecto preocupado, ofegante, suado. Pede para usar o telefone, diz que é uma ligação gratuita.
- Eles me acharam. O que eu faço? humm... uhumm... Tá!
O cara pede um café e fica ali. Ele olhou ao redor e todos se voltaram para seus monitores, sem graça. Passa-se menos de um minuto - pareciam horas - e todos reparamos um movimento na rua. O cara se vira para mim e diz:
- Me esconde, por favor?
- Vem aqui pra baixo do balcão!
O dia estava comum mesmo... pelo menos um entretenimento.
Entra um homenzinho horroso que parecia um "joão-bobo" de trezentos quilos que fala do mesmo jeito que um pug respira.
- Você viu um rapaz alto, rronn rronn loiro, magro passando rronn rronn por aqui ainda há pouco?
- Não, senhor.
- Ele está embaixo do balcão!, grita a delinquente cagona do computador seis.
- Fofoqueira!, berro eu. Sabia que eles não vão te dar recompensa? E nem vem achando que você vai sair dessa sessão sem pagar!
- Achei!, diz o "joão-bobo" no walkie-talkie do tamanho da cara dele e maior que a mão.
Um povo com uma roupa igual a do "joão-bobo" entra e pega o escandinavo - que depois vim a descobrir que era de uma cidadezinha do interior do Acre - e me carrega junto. "Você vem também, seu encobridor."
Veja só?! Como alguém do tamanho do "joão-bobo" consegue impor respeito? Eu, hein... Mas a hierarquia é engraçada.
No final das contas, o escandinavo do Acre tinha roubado uma mariola de um feirista. Ainda por cima, roubou uma mariola cheia de formiga.
E eu perdi dinheiro de um dia de trabalho. Mas meu dia não foi um saco e ainda contratei o escandinavo do Acre. Disse que se ele trabalhasse de graça pra mim, pagava a multa dele. E ai dele se fugir de mim; sei onde ele mora: no Acre.
Só não entendi a ligação. Mas pra que, né? Há coisas que não precisamos entender.

Moral da história: às vezes é bom perder por um pouco de diferença.

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