segunda-feira, 24 de novembro de 2008

SP x RJ

Tão solitária essa escuridão do ônibus; mesmo com bandas estrondando aos meus ouvidos. Passada 1h de viagem, me pego querendo voltar, mas não pro hotel. Voltar para algo meu (ou que poderá ser meu). Se pudesse persuadir o motorista do ônibus a voltar... seria mais corajoso no dia seguinte. Coragem tem me faltado muito. Fico esperando que o importante aconteça para me obrigar a me mexer, enquanto que eu já poderia estar me mexendo e mais feliz (não que eu esteja infeliz). Acho que estamos passando por Guaratinguetá, não sei por quê, mas acho que é sim. Vou tentar dormir. O tempo passa mais rápido e a gente pára de pensar... (às vezes não)

Give up trying

Acho que a viagem foi bem sucedida, embora ainda não tenha terminado.
Acho que passei para a segunda fase da USP, vi uma amiga, vi um amigo, conheci mais um pouco a cidade, enfim...
E pensando, decidi não tentar mais nada, não correr atrás, sabe... vou deixar rolar, acho que percebi que não sei o que quero e nunca saberei. E percebi também que ter ajuda é muito caro e eu não quero. Talvez eu nem precise, mas como dizer "se eu quiser ajuda eu peço" sem parecer rebelde, porque "rebelde" é meu segundo nome para essas "pessoas ajudantes".
Amanhã será um dia chato. Seis horas, pelo menos, na rodoviária até meu ônibus sair. Queria ir agora, mas são 19h40 e o último ônibus sai às 21h, se não me engano. Enfim, a essa altura só posso esperar que a viagem tenha alcançado seu objetivo e que termine bem!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dad (1989)



- Love, I know what I am. I am a mad! I got mad up here, right?
- Not more than anyone else, my dear!

domingo, 2 de novembro de 2008

O Auto da braca do Inferno



[...]
Joa. Aguardai, aguardai, houlá!
265 E onde havemos nós d'ir ter?
Dia. Ao porto de Lucifer.
Joa. Ha-a-a...
Dia. Ò Inferno! Entra cá!
Joa. Ò Inferno? Eramá!
Hiu! Hiu! Barca do cornudo.
270 Pero Vinagre, beiçudo,
rachador d'Alverca, huhá!

Çapateiro da Candosa!
Antrecosto de carrapato!
Hiu! Hiu! Caga no çapato,
275 filho da grande aleivosa!
Tua mulher é tinhosa
e há-de parir um çapo
chentado no guardenapo!
Neto de cagarrinhosa!

280 Furta-cebola! Hiu! Hiu!
Escomungado nas erguejas!
Burrela, cornudo sejas!

Toma o pão que te caío!
A mulher que te fugio
285 per'a Ilha da Madeira!
Cornudo atá mangueira,
toma o pão que te caío!

Hiu! Hiu! Lanço-te ûa pulha!
Dê-dê! Pica nàquela!
290 Hump! Hump! Caga na vela!
Hio, cabeça de grulha!
Perna de cigarra velha,
caganita de coelha,
pelourinho de Pampulha!
295 Mija n'agulha, mija n'agulha!

Chega o Parvo ao batel do Anjo e diz:

Joa. Hou do barco!
Anjo Que me queres?
Joa. Queres-me passar além?
Anjo Quem és tu?
Joa. Samica alguém.
Anjo Tu passarás, se quiseres;
300 porque em todos teus fazeres,
per malícia nom erraste.
Tua simpeza t'abaste
para gozar dos prazeres.

Espera entanto per i;
305 veremos se vem alguém
merecedor de tal bem
que deva entrar aqui.
[...]