sábado, 27 de setembro de 2008

Un poisson dehors de l'eau

No meu cantinho, ouço o alvoroço. O homem, embora de estatura mais baixa entre os homens, é o que mais fala, fala mais alto, e um falar gargantal - agundando ao aproximar do clímax. A interação que ele tem com os demais é impressionante! Apenas eu, achava suas observações maçantes? Enfim, lá estava ele... falando e falando... Alguém se atrevia a pôr um assunto novo na mesa, e mais que depressa, ele, com toda sua destreza, impõe sua opinião! E mais uma vez, gargantal e agudando...
Outro homem, de segunda estatura mais alta, com seu sotaque capixaba adquirido não sei de onde, interage que é uma maravilha. Conversam, as outras pessoas entram no assunto e assim vai a conversa, numa fluidez que me estonteia. Me retenho a prestar atenção nas vozes. Adoro o jeito com que as pessoas mudam de vozes de acordo com o assunto. O homem baixo vira um político a falar de quadrúpedes eqüinos, o outro é sempre tímido, sufocado pelo homem baixo.
Quando consigo me hipnotizar na televisão, alguém me dirige a palavra: "Mateus, senta pra cá?!"; respondo: "Não, não... tô assistindo a novela aqui. Nunca assisto...". Que resposta tonta! Se eu nunca assisto, não tem por que deixar de conversar para assistir. Mas foi suficiente para me deixar em paz.
Para minha alegria, a hora de ir embora chega. Me despeço de todos, com ênfase no homem baixo, que não me dá muita atenção, e com as três, me vou.

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